Uber utilizou uma aplicação falsa para se esquivar à polícia

Uber utilizou uma aplicação falsa para se esquivar à polícia

Esta é a maior divulgação de informação interna até agora sofrida pela Uber, concentrando-se no período entre 2013 e 2017, os anos-chave de um novo serviço que prometeu revolucionar o transporte pessoal. Tal revolução não se enquadrou bem nos sectores estabelecidos, especialmente na indústria de táxis, mas foi um confronto que o co-fundador Uber e então CEO Travis Kalanick procurou activamente.

A publicação dos ‘Uber Files’, ou Uber Papers, revela as tácticas utilizadas pela empresa e pelo seu co-fundador para combater a regulação do mercado.

Os documentos e mensagens Uber revelados apresentam uma empresa sem medo de escapar à lei, chegando mesmo ao ponto de utilizar técnicas para se esquivar às investigações policiais. Esta é a maior divulgação de informação interna até agora sofrida pela Uber, concentrando-se no período entre 2013 e 2017, os anos-chave de um novo serviço que prometeu revolucionar o transporte pessoal.

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Tal revolução não se enquadrou bem nos sectores estabelecidos, especialmente na indústria de táxis, mas foi um confronto que o co-fundador Uber e então CEO Travis Kalanick procurou activamente. Em 2016, quando os executivos da empresa mostraram preocupação com os protestos dos taxistas em França, Kalanick afirmou que “valeu a pena”, e que “a violência garante o sucesso”

Para assegurar esta “violência”, teria ordenado aos funcionários franceses que encorajassem protestos contrários aos dos taxistas, apesar de estes últimos o terem avisado que “bandidos de extrema-direita” se tinham infiltrado nestas acções. Para Kalanick, os taxistas Uber eram os ‘soldados’ que ele podia transformar em ‘armas’, segundo declarações feitas por um antigo executivo Uber ao The Guardian. Ao mesmo tempo, Uber concentrou-se em influenciar a opinião dos líderes políticos, e em França Kalanick teve em Emmanuel Macron o seu maior aliado e amigo, com quem falou com familiaridade e que lhe teria prometido uma reforma das leis que favorecem o serviço oferecido por Uber.

Conflito com taxistas em Portugal

Foi uma táctica que Uber também tentou em Portugal, com resultados piores.

Mas sem dúvida, a parte mais controversa desta estratégia reside na utilização de aplicações de espionagem e de matar interruptores para escapar à justiça; o objectivo era enganar e atrasar as autoridades policiais e judiciais para que não pudessem agir contra a aplicação.

Uber utilizava spyware conhecido como “Greyball”, o que impedia que as autoridades pudessem solicitar aos carros Uber que investigassem ou prendessem os condutores. O sistema utilizou a tecnologia ‘geofencing’, baseada em dados de geolocalização móvel, para bloquear pedidos vindos de esquadras de polícia ou áreas onde as autoridades pudessem trabalhar. Além disso, também foi utilizado contra taxistas em áreas como o aeroporto de Madrid-Barajas, para evitar que estes pudessem denunciar os taxistas que recolhiam clientes na área. Um e-mail da empresa confirma que Uber queria evitar “armadilhas policiais” e continuar a operar sem limitações.

Apesar de tudo isto, em Dezembro de 2014, Uber foi ordenado pelos juízes a cessar toda a sua actividade em Espanha, e assim a empresa tornou-se mais agressiva, indo ao extremo de dificultar o trabalho da polícia. As mensagens divulgadas falam de um ‘kill switch’, um sistema que, quando activado, bloqueou instantaneamente todos os computadores e servidores da rede interna da empresa; foi activado quando a empresa suspeitava que ia sofrer uma rusga num dos seus escritórios.

Mensagens internas mostram que os executivos Uber sabiam que não estavam do lado certo da lei; num e-mail afirmam que são “ilegais” e sentem-se como “piratas”.

Uber respondeu à publicação desta fuga, afirmando que é uma “nova empresa” desde que Kalanick foi forçado a demitir-se em 2017 por controvérsias sobre a cultura interna da empresa e o tratamento de casos de assédio sexual. Desde então, Uber tem tentado distanciar-se das decisões do seu co-fundador, e agora afirma que abandonou estas práticas quando mudou de CEO. Pela sua parte, Kalanick defendeu-se através de um representante, que minimizou as fugas ao afirmar que eram “práticas comuns” no sector. Ele nega ter procurado usar a violência, pondo em perigo os condutores de Uber.

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